sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A paralexe cognitiva. (ou desvio sofistico do conhecimento real.)

"...Paralaxe cognitiva, em que o sujeito afirma precisamente o contrário daquilo que o seu próprio ato de afirmar demonstra da maneira mais patente. É o deslocamento radical entre o eixo da experiência intelectual efetiva e o da construção teórica supostamente baseada nela...Do fenômeno que denomino paralaxe conceitual -- o deslocamento entre o eixo da concepção teórica e o da perspectiva existencial concreta do pensador --, os exemplos são tantos, nos últimos séculos, que não me parece exagerado ver nele o traço mais geral e permanente do pensamento moderno. As idéias tornam-se aí a racionalização ficcional com que um intelectual se esforça para camuflar, legitimar ou mesmo impor como lei universal sua inaptidão de se conhecer, de arcar com suas responsabilidades morais, de se posicionar como homem perante a vida...paralaxe conceitual: desenhando o quadro do mundo desde um ponto de vista que não coincide em nada com o do seu próprio posto de observação no planeta Terra, ele se desvencilha da incômoda obrigação de dar à sua teoria o reforço do testemunho pessoal... Alguns leitores pedem-me mais explicações sobre a tal "paralaxe conceitual" que mencionei outro dia. Vou tentar. Toda afirmação filosófica sobre a realidade em geral, a humanidade em geral ou o conhecimento em geral inclui necessariamente, entre os objetos a que se aplica, a pessoa real do emissor e a situação de discurso na qual a afirmação é feita. O que quer que um homem diga sobre esses assuntos ele diz também sobre si mesmo. Ninguém tem o direito de constituir-se, sem mais nem menos, em exceção a uma teoria que pretenda versar sobre o gênero ou espécie a que ele próprio pertence. Essa elementar precaução metodológica foi negligenciada por praticamente todos os filósofos mais importantes do ciclo dito "moderno", assim como por muitas das escolas de pensamento que dominam o universo intelectual contemporâneo. Em resultado, temos uma imponente galeria de doutrinas que nada nos dizem sobre o mundo em que foram produzidas, nem muito menos sobre as pessoas reais que as criaram, mas tudo sobre um mundo inventado que não as inclui e que elas se limitam a observar desde fora, desde um imaginário posto de observação privilegiado. Esse posto de observação corresponde, estrutural e funcionalmente, ao do "narrador onisciente" nas obras de ficção, o qual não é afetado pelo curso dos acontecimentos narrados. Construídas com uma técnica ficcional, mas totalmente inconscientes do expediente que empregam, essas filosofias são obras de ficção que não ousam se apresentar como tais. Alguns exemplos: 1) Descartes diz que vai examinar seriamente os seus próprios pensamentos, e começa a fazê-lo sob forma de introspecção autobiográfica. No meio do caminho, perde o fio do seu eu pessoal e concreto, do seu eu biográfico, e começa a falar de um eu genérico e abstrato, o "eu filosófico". Ele nem se dá conta do salto, e acredita continuar fazendo autobiografia quando está fazendo apenas construção lógica. Ele acaba acreditando que é realmente esse eu filosófico, sob cuja sombra o eu real desaparece por completo. Resultado: sua auto-observação cai nos erros mais grosseiros, como por exemplo o de esquecer que a continuidade temporal do eu é um pressuposto do cogito e não uma conclusão obtida dele. 2) David Hume diz que nossas idéias gerais não têm valor cognitivo nenhum, porque são apenas aglomerados fortuitos de sensações corporais. Em nenhum instante ele se dá conta de que a filosofia de David Hume, compondo-se ela própria de idéias gerais assim formadas, também não pode valer grande coisa. O estado de alienação do filósofo ao criar sua filosofia não poderia ser mais completo. 3) Maquiavel ensina que o Príncipe deve conquistar o poder absoluto e em seguida livrar-se dos que o ajudaram a subir. Ora, quem pode ter ajudado mais ao Príncipe do que o filósofo que lhe ensinou a fórmula da conquista do poder absoluto? Se o Príncipe o levasse a sério, ele próprio, Nicolau Maquiavel, seria o primeiro a ser jogado no lixo junto com o seu livro, prova do crime. Contrariando o louvor geral que consagra Maquiavel como o primeiro observador "realista" da política, o Príncipe é um modelo idealizado que só pode ser descrito em literatura precisamente na medida em que nenhum contemporâneo logre encarná-lo na realidade. A alienação chega ao cúmulo quando Maquiavel diz que todos os males do Estado vêm dos intelectuais contemplativos que, não podendo atuar na política, teorizam sobre ela -- o que é precisamente o que ele está fazendo. Aliás, Otto Maria Carpeaux já havia assinalado que a visão que Maquiavel tem da política não é política: é estética. 4) Karl Marx assegura que só o proletariado, por ser a última e extrema vítima da alienação, pode apreender realisticamente o curso inteiro do processo alienante e, por isso, libertar-se dele. Só o proletariado, em suma, tem adequada consciência histórica. Mas não é mesmo uma coisa extraordinária que o primeiro, logo o primeiro a personificar essa consciência proletária seja um burguês? Não digo que isso seja impossível, mas, à luz da teoria marxista, é uma exceção notabilíssima e improvável. Karl Marx passa sobre ela com a maior inocência, sem nem de longe notar um desvio de foco, uma paralaxe entre o personagem que representa e o conteúdo das suas falas. No mundo de Karl Marx, não existe Karl Marx. E por aí vai. Ao exame meticuloso desses e de muitos outros casos similares tenho dedicado meus cursos desde há alguns anos. O lado mais interessante é a crítica ficcional da filosofia ficcional. De fato, os melhores observadores críticos da alienação filosófica foram os escritores de ficção, principalmente Dostoiévski, Kafka, Pirandello, Ionesco e Camus. Os Demônios, O Processo, Henrique IV, O Rinoceronte e O Estrangeiro são peças de um imenso requisitório literário contra as pretensões da filosofia moderna. Vale aí o contraste delineado por Saul Bellow entre o "intelectual" e o "escritor": de um lado, o construtor de alienações elegantes; de outro, o porta-voz das "impressões autênticas", verdades às vezes simplórias que estouram o balão intelectual. Já viram, né? Quando eu crescer, quero ser "escritor"... fonte: O deC.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

algumas reflexões

deixar viver significa deixar de negar algo que existe.

viver na graça é despropriação - não apetite de fruto - não considerar nem sequer fazedor do que empreende.

"Olhei Olhei e cheguei a ver
o que julgava que eras tu e tu
na verdade era eu e eu."
Desconhecido

"Não há Luz sem Sombra
Nem totalidade psíquica isenta de imperfeições...
A Vida não exige que sejamos perfeitos, mas completo;
e para isso, necessita o "espinho na carne",
o sofrimento dos defeitos, sem os quais,
não há progresso sem ascensão


"As características ou qualidades que a pessoa tenha recusado ver em si
serão atribuída a outros, como se ela lhe pusesse máscaras.
Então a pessoa tenderá a idealizar os portadores de suas projeções, rejeitá-los ou temê-los"
Jean Monbourquette

"Tudo aquilo que você foge e tudo que aspira, está dentro de você"
lama Zopa Rimpoché

"Se eu não possuo a mim mesmo, como posso me dar?"

"Durante os 35 anos de nossa vida, esforçamo-nos para subir uma longa escada, com o objetivo
de alcançar o alto do edifício; depois, uma vez sobre o telhado, descobrimos que erramos de edifício."
Joseph Campbell

"Não há senão um problema, oferecer aos Homens um significado Espiritual.."
Saint-Exupéry


visitem ainda:

http://editoraadvaita.blogspot.com/2009_11_13_archive.html

(Sobre a escuta incondicionada..) -> vale muito a pena

abraços
guto 08/2010

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Metafísica da vida cotidiana (do apego às conveniências)

Ah, este mundo de conveniências!
Ah, esta vontade vil de supremacia!
Há tanta gente pronta a se dizer sábia
E tão poucas que acolhem sua própria ignorância

Mas como sabedoria só nasce da humildade,
no mundo proliferam sábios empanturrados...
vaidosos de si. ignorantes da própria vaidade.

Ah, este mundo de conveniências
Há tantos que se adornam de ciência,
Há tanta gente segura até das dúvidas que finge nutrir,
que o palco das intenções acaba esquecido e vazio.

Mas como o saber só brota em corações famintos,
da ciência resta apenas o esqueleto endurecido,
privado de viço, prenhe de vícios.

Ah, este mundo de conveniências!
Ah, esta vontade vil de se impor!
Há tanta gente empenhada em dar respostas
que perdeu-se no tempo o ato de interrogar

Mas como a vida só se revela a quem busca,
segue o mundo embriagado de si mesmo
regido por cegos que se crêem videntes

Ah, este mundo de conveniências!
esta vontade vil de se impor!
Há tanta secura no horizonte dos gestos
que o solo do coração se torna árido e febril

Mas como a vida só brota onde existe umidade
tudo que é jovial sufoca sob o peso das convicções,
E segue o mundo no infértil exercício de suas ilusões.


Rodrigo de Barros

segunda-feira, 5 de abril de 2010

As vezes no silêncio..

E eis que , de repente, um silêncio tomou conta de todos...
Não uma simples pausa na conversa,
mas aquele silêncio que é capaz de revelar
até as profundezas de nossas intenções mais recônditas

Penetrando nas entranhas do Ser
ele vasculhava e revirava
como alguém que procura um pertence
há muito tempo perdido..
Embora alguns já tivessem se esquecido
no meio daquela bagunça toda
achou dúvidas submersas aos montes

E O silêncio seguia de modo indefinido..
O seu prolongamento continuava lentamente,
como alguém que com destreza se aproxima de todos.

A quietude indicava um sinal claro de omissão vacilante;
que de alguma forma perturbava os presentes.
Apesar disso, nenhum deles achavam meios, recursos,
sobretudo coragem, para vencê-lo, ou transcendê-lo.

Qualquer tentativa de intromissão
era esmagado pelo peso da tensão já criada;
pela culpa, medo e desconfiança gerada.

Olhares cabisbaixos se cruzavam
na esperança de uma possível reconciliação.
Tentativas de desviar o rumo da situação,
de entrar num estado de ânimo renovado,
eram drasticamente frustradas pela indiferênça.

O Silêncio havia se tornado sério e perturbador
O Seu peso era uma carga que todos custavam carregar

Dentro da caixa preta se apresentavam
a imensidão do escuro, o vazio infindável
e os fantasmas do desespero em prontidão
cada qual com seu quadro mudo
pregado na parede

Nenhum dos participantes era capaz
de admitir o que lhe tocava
muito menos de dizer que aquilo tudo
o pegara de surpresa
e trazia consigo sofrimentos reveladores

Antes quisesse recebê-los
como um estranho
um hóspede de longa data

Mas Não..

Não importava a razão do silêncio
ou o que ele trazia.
Apenas queriam a todo custo,
e o mais rápido possível,
estar livre daquele constrangimento.

Parecia que todos tinham o seu quinhão
e ninguém sairia ileso.
A Hora H estava prestes a soar,
e cada qual se aprontava
mirando sua estratégia de fuga..

E aconteceu que
passado a tensão do presságio
como uma flexa que é lançada
do braço de um homem forte
saíram todos da temerosa tensão do silêncio
a encobri-lo com dissimulações vãs,
observações momentâneas sem nexo,
pequenos falatórios sem profundidade,
e comentários de acontecimentos pretéritos sem muita relevância.

E o silêncio se despediu
como desnuda de uma roupa usada
foi mais uma vez
relegado ao esquecimento
frustrado pela desconfiança
levado pelo vento de outrora
a espera de outra noite
onde achasse guarida

Foi ele em esperança
a procura de um encontro
de ouvidos fortes
olhos corajosos
línguas gentis, sinceras e domadas
para que ali onde não se achou
se descubra algo mais
muito além de máscaras alertas

guto (2010/04)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Solitude

Oh minha madrasta
obrigado
hoje eu sei que agradecer demais o agrado
é orgulho disfarçado
ocultado para querer ser mais amado

Oh minha madrasta
obrigado
seus olhos me aceitaram
assim como eu sou
abriu os meus
a sua suave voz desnudou
minhas faltas
posso andar nú
despreocupado agora
enquanto minhas feridas se fecham

Oh minha madrasta
obrigado
desculpe por estar ocupado
hoje eu sei que considerar
é com o céu estar em movimento
a contemplar no alto
de pés no chão
aqui de de baixo

Aprendi que pedir por demais o perdão
é fuga e presunção
de querer estar de novo
na posição de conforto
antes de encarar o que não convém
e enfrentar o inevitável

estou aprendendo a aprender
aprendendo a esquecer
e a dizer simplesmente
"não sei!"

Ser humilde não se aprende
a não ser com o caração
vivendo contente
quem diz que sabe e tem razão
é orgulhoso
e ainda terá muito que esperar

não há mais desculpas
quando reinam a paz e a retidão

hoje eu sei que o que Deus me dá
é entregue por vocês
e que devo fazer por merecer
essas dádivas de presente

hoje eu sou girassol
você é meu sol
você é a luz neste mundo de ilusão

PAZ

guto(01/2009)

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Chave Cósmica

ôô Ôoooo Ôoooo Ôooooo Ôoooo

tô na estrada da vida
onde o fim é não sei
de risos e de feridas
morte de alma sem lei
um sábio disse que alguém
guarda o mistério de tudo
do todo da metade
do buraco sem fundo

chave cósmica
dentro de mim
chave cósmica
dentro de ti
chave cósmica
dentro de mim
chave cósmica
dentro de ti

bati na porta Deus
vi muita coisa por lá
só que não me atendeu
do olho mágico céu
não há parede
nem fundo
nem começo
nem fim
só ir ao centro do universo
que ele está por ali

chave cósmica
dentro de mim
chave cósmica
dentro de ti
chave cósmica
dentro de mim
chave cósmica
dentro de ti

*letra- Lucas Anderson (Artesanato)

(11/08)

obrigado

obrigado minha irmãzinha
por lançar a isca do amor
na rede do oceano que me prende

como quem pesca um peixe
no desprendar da rede pula
na esperança de um grande em silêncio

obrigado maria cutia
pelo chamado do dia
bem te quero
eu ja sabia

oculto a graça
manifesto agora para prevalecer
para desfrutarmos a pureza
da alegria que é tua
e é minha
minha irmazinha

(11/08) gut0

domingo, 21 de setembro de 2008

Parabens Vitoria


Victória nasceu
Branca como leite de vaca
amamentando os seus
com sede de afago

Gorda
cresceu repentina feito bambu
fizestes balé e maracatu
sapateado e teatro

na ginástica olímpica
as pernas esticou
na cozinha com água de cuzcuz
as queimou
e a coluna hoje jaz tortemente erguida

Que ela se acha todo mundo sabe
se intromete onde não é chamada
achando que é a Rainha da Cocoda
a última bolacha do pacote
o piu piu do Frajolo
A espuminha do xixi
o cavalo branco de napoleão
o cacique da tribo

Vitória Victória Vitória
Eu lhe digo, já vencestes
por isso não ouça teus ouvidos
as vozes que calam o Espírito

Para o bem Vitória
Parabens!

Que o tempo lhe mostre a eternidade da vida

guto(09-2008)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

De volta a estaca

De volta á estaca zero
Do início como era aqui estou
Quando Adão acordou e disse Eu Sou..

quando me dei conta estagnei
perambulei
e isto é mediocridade e presunção

Pela estaca o homem fez a lança
e da lança a espada
e pela espada morreu
porque a justiça própria é falha e equivocada

da morte na cruz o pai fez o filho do homem
e o homem se fez luz
da fraqueza ao poder

guto ( 2008_)

sábado, 28 de junho de 2008

ateiam-me

Como poderia dizer-lhes
que quando o sino de minha sina tremeu
encarei castrado e encolhido
nu pelado sem casca

Regurgitei aquelas noites
por dias
dentro do meu cérebro
passivamente convulsivo.

divaguei por léguas a fio
e voltei no mesmo carretel
que me puxava
o mesmo número
como um dado viciado

A brincadeira se tornara uma piada perigosa e repugnante
havia muito envolvido
gente ansiosa esperando por mim
Eu, de tão confuso, nada sabia.
Talvez assinara um contrato desconhecido

O gongo em minha cabeça
ecoou como uma palma seca
a expandir no espaço

Quis deslizar feito algodão
embebido em álcool
mas murchei escrotamente

Quis desfazer-me desta película gosmenta
que me prende e me pertence
mas sua elasticidade atraente
assumia a forma que quisesse
depois retornando a sua composiçao
como um líquido viscoso

Veja que não faço milagres
e nem queria transpor o invisível
e inquietar teu sono.

Também não quero consolo.
Chances fracassadas por preguiça
padecem em justiça maior

Aquietei-me
enfim agora
esturriquei no sol
a faiscar fagulhas.

(06/2008) gut0

segunda-feira, 9 de junho de 2008

"a couraça das palavras protege nossos silêncios e esconde aquilo que somos". (Tiago de Mello)

quarta-feira, 14 de maio de 2008


De onde vem a inspiração?
Quando do invisivel ar
enxe o pulmão
de alegria e satisfação.

De onde vem a brisa
e os ventos alisos?
Ó leve brisa doce a soprar
em nossos ouvidos
melodias do fundo do mar.

De onde vem a exaltação?
De que fonte jorra o louvor
o simples resplendor
da contemplação.

De onde vem as águas claras do rio?
Dos vales estreitos do monte sombrio
guardadas em montanhas ocas.

Belos templos virgens
de lençóis férteis a brotar vida
silenciosamente

Vaso vazio que me criei
bebo destas águas
preencho-me com tua transparência
No Humilde aconchego
me desmancho na imensidão
de tua presença.


guto (05/2008)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Mae


Minha Mãe
Minha Mãezinha
Obrigada por ser a Rainha
que governa meu coração

Minha Mãe da Terra
que me dá a luz
o leite, o amor e o perdão
me pega no colo, aconselha
amamenta e consola a dor

Obrigado por nos alimentar
com este amor
o mais próximo de Deus

Mãe minha Mãezinha
Mãe das Águas Claras
Sua Pureza é a minha
Clareia minha alma Mãezinha
para estar junto a ti

Maria Santíssima
graças a Deus acolheu
nossas orações
pelo amor estrela guia
no caminho da Salvaçao

Minha Mãe Divina
Divina Mãe Criadora
Vós sois a bela intercessora
que nos leva ao Pai

Abençoe os filhos teu Mamãe
para sempre louvar a Deus

Amem Jesus Maria e Jose.


(gut0 - 5/2008)

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Amamentar

Eu te Amo
admiro cada um de vocês
Eu amo a Vida

O Amor é a Verdade
O Amor não é seletivo
Não há separação nem individualidade
Não há posse
Não há pensamentos
O amor é a entrega total
Não há palavras que o declarem
Simplesmente O Amor É

Quando todas as cortinas se abrem
e o Sol resplandece
podemos ver a Luz
brilhando em nós mesmos

O Amor É a Luz
A Liberdade da Vida
A eterna dança enigmática
a harmonia da natureza
o louvor espontâneo

Assim seja
pois assim é
Amem

guto(5/2008)

segunda-feira, 14 de abril de 2008


O sol se foi
jaz outro dia anoitecido
e com ele os fracos
em busca de abrigo
.
O tédio e a indeferença reinam
no império involutivo
Não há mais nada guarnicido
nem espaço para gentileza.
.
Estamos quase mortos
sob a mira esvoaçante
de caminhos obscuros
.
Contornando as bordas
Nessa selva caótica
só a fúria sobrevive
.
guto (4/2008)

domingo, 10 de fevereiro de 2008

A descoberta de Sidarta [Buda] sobre a falácia do "eu" é simbolizada na história da destruição de Mara. Tradicionalmente chamado de o senhor maligno do reino do desejo, Mara não é nenhum outro a não ser o apego de Sidarta ao "eu".É adequado que Mara seja retratado como um guerreiro bonito e poderoso que nunca foi derrotado. Como Mara, o "eu" é poderoso e voraz, egocêntrico e traiçoeiro, sedento por atenção, esperto e vaidoso. É difícil lembrar que, como a ilusão do anel de fogo, o "eu" é algo montado, não existe independentemente e é suscetível à mudança.O hábito nos torna fracos contra o "eu". Mesmo hábitos simples são difíceis de serem eliminados. [...]Mas o hábito do eu não é um simples vício como fumar cigarros. Estamos viciados no eu desde tempos imemoriais. É como nos identificamos. É o que amamos com mais carinho. Também é o que odiamos mais duramente, às vezes. [...]Quase tudo que fazemos, pensamos ou temos, incluindo nosso caminho espiritual, é um meio para auto-afirmar sua existência. É o eu que teme o fracasso e deseja o sucesso, teme o inferno e deseja o paraíso.O eu tem nojo do sofrimento e ama as causas do sofrimento. Ele estupidamente trava guerras em nome da paz. Deseja a iluminação mas detesta o caminho para a iluminação. Deseja trabalhar como socialista mas vive como capitalista. Quando o eu sente-se só, deseja amizade. Sua possessividade em relação a quem ama se manifesta em paixão que pode levar à agressão.Seus supostos inimigos -- como caminhos espirituais arquitetados para derrotar o ego -- frequentemente são corrompidos e cooptados como aliados do eu. Sua habilidade em jogar o jogo do engano é quase perfeita. Ele tece um casulo em torno de si como um bicho da seda, mas diferentemente do bicho da seda, não sabe como encontrar a saída.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008






Acaro


Depois de um longo bocejo
os primeiros raios de sol
listrados em minha janela
realçam a poeira abafada

Os ácaros se amontoam
erguidos e acocorados no ar
prestes a dizerem bom dia
e pularem na imensidão
de meu cômodo

Cômodo
permaneço acomodado
na agonia do agora
na esperança
do nada
me levar em boa hora

Nenhuma novidade
tem os ácaros
a me contar
a não ser os seus próprios assuntos
de piadas internas de morimbundos
anônimos

Escovo o dento
com desdém
como se escovasse
um imprestável tênis velho e sujo

Perdido
já perdera toda a noção
da primeira pessoa
do que é ter noção
consciência
ou do nexo entre as coisas
causualidade

ou o que quer que seja, ou venha a ser.

Fugazmente
lembrara-se de seu entusiamo
de como custumava
entreter-se consigo mesmo

porém
rejeitara até
sua própria e mediocre alegria
de passar dias a fio
a tagalerar consigo mesmo

Estava fadado
subitamente
prestes a
nada.

Enclausurado passivamente
na agonia cômoda do agora
a escutar piadas infames
de ácaros e morimbundos anônimos

(1/2008) gut0

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Somente Sou

A flecha que lancei
voltou como um vulcão
que escarra suas tripas

Do manto gosmento escarrado
meu coraçao oco putrificado
começara a formentar desgraças

No soluço trêmulo
ânsias convulsivas saltam
para fora de minha língua maldita

Desesperadamente regurgitei por dias
o sumo metálico
de minha saliva corrosiva

Somente Eu
coeso caixão
íma armagurado lacrado na memória

Pilhas Rayovacs se Estouram
derretendo dentro do meu cérebro
Pelo nariz vomito óleo

Na fragilidade exposta
pelo reflexo da inquietação
meu amor vingativo se produz

Encapado
navega
de extremo a extremo
de minha alma

No inferno da escolha do agora
embora antes mesmo do gosto amargo
fostes eu criatura dele
somente

(12/2007) guto

sábado, 1 de dezembro de 2007


http://www.youtube.com/watch?v=WAZ5iYbJ6ws

Acontece

Esquece nosso amor, vê se esquece
Porque tudo na vida acontece
E acontece que eu já não sei mais amar
Vai sofrer, vai chorar, e você não merece
Mas isso acontece
Acontece que meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio
Se eu ainda pudesse fingir que te amo
Ah, se eu pudesse
Mas não posso, não devo fazê-lo
Isso não acontece

-

http://www.youtube.com/watch?v=6jA9Cp8mtuw

Disfarça e chora

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto queria
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra
Oh! triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora
E eu vejo seu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E o seu pranto oh! Triste senhora
Vai molhar o deserto
Disfarça e chora

-


Corra e olhe o Céu

Linda te sinto mais bela
Te fico na espera
Me sinto tão só, ai!
O tempo que passa
Em dor maior, bem maior
Linda no que se apresenta
O triste se ausenta
Fez-se a alegria
Corra e olha o céu
Que o sol vem trazer bom dia
Ah, corra e olha o céu
Que o sol vem trazer bom dia

Viva Cartola!

domingo, 25 de novembro de 2007

Da Lua ao mago


Ressoe a Harmonia
Sintonize as Vibrações do Interior com o Exterior
Seja um canal íntegro
Busque inspirações nas badaladas firmes e consistentes
dos sinos alegres
O grande desafio do mago é se harmonizar
Seus objetivos com as intenções
seus relacionamentos, que custumam ser complexos
e de grande preocupação para o mago.
Pode normalmente buscar reconhecimento e glória.
Este buscar é um grande potencial de força está no mago
e o motiva a criar e prosperar
que deve ser bem analisado para que esteja equilibrado
Reconhecimento em quê? Para quê?
Faz-se necessário pensar em intenções meramente
egoístas e que não se sustentam!
A Elegância do mago
é ser refinado e humilde
ordenar sem impor
falar sem arrogância
agir sem esforço
É neste esquilíbrio mágico que o mago encontra seu poder verdadeiro
O Jaguar guerreiro intemporal
O poder da repectividade
em que todos percebem a luz que irradia
luz de amor, harmonia, integridade e lealdade!
Está revelado o grande poder do mago
que é o de Encantar
Encantar as pessoas
Encantar o aqui e agora
O próprio encanto ressoa

domingo, 18 de novembro de 2007

A maquina autômata
vibra seus tentáculos virtuais
dispostos estrategicamente
em cada dimensão espaço/tempo

As engrenagens invisíveis
determinam geometricamente
as expressões reais

a raiz cria tubérculos

a afinação das extremidades
reduz a tensãoo energetica
e os polos se fundem em unicidade
o influxo unidirecional
potencializa a expansão

o caos se procria

(11/2007)

(imagens- Abaixo nos "11/2007" Robert Venosa, acima Chaplin em 'Os tempos Modernos')


minusculamente infinito
caoticamente ordenado
temporariamente esquecido
estrategicamente posicionado
ocultamente vigiado
potencialmente expandido
paralelamente vazio
dolorosamente disfarçado
fiasco faiscando
constantemente apedrejado
(11/2007)

doce presença risonha como a saudade

oh! quantas vezes gargarejei risadas medonhamente loucas
a seu lado tantos momentos estéricos
tenho saudade até de suas irritaçoes
de sair por aí saltitando
comendo ar
jujubas
de sorrir com chocolate
de olhar no olho
e dar bom dia de noite aos desavisados
até de suas crises misteriosas e saídas enigmáticas
falas obscuras e irônicas em horas impróprias
tenho medo
de ter medo
de ser um museu abandonado
acocorado no cérebro
no fundo de memórias neurais arquivadas
em pastas dentro de pastas
de pastas dentro de caixas e gavetas e armários cinzas
em arquivos de papel higiênico
com cheiro de pêssego molhado
prefiro viver de novo
pegar fogo

(11/2007)

domingo, 4 de novembro de 2007


Réplica

como poderia replicar o que não se repete?
O que foi já vivido, processado e encaminhado
Arquivo de memória neural
que na lembrança vibra
como um sino que ressoa
leve na brisa do mar

Como transformar em palavras
em frases que nutrem este sentimento?
Quero ser poeta vivo no presente
Quero ser vivo em cada presente
poeta em cada vivência
Vivo em cada poeta da rua
em cada esquina do inusitado
no aperto de mão descompassado
sentir o real e irreal
das aparências
no vai e vem das amigas garçonetes
que hora nos servem
e logo embarcam em outras mesas

Quero embarcar na barquinha do amor
Ser esta onda circular perfeita
sem início nem fim
morrer na praia
e da areia fina
nascer novamente
para dizer
ao meu Amor
Meu Amo é o Amor

Bendita força esta
que une os átomos
os envolve num sentimento de unidade
atrai e plenifica
A própria sustentação da gravidade
fazendo tudo circular em harmonia e sincronia
11/2007

sábado, 3 de novembro de 2007

Cao















Cao
A cidade pulsa
em suas nervuras urbanóides
rodopio com ela
no chicotear sepertino
das fileiras de cimento
os mendigos banguelas
sorridentes
as corroças das meninas gêmeas
tímidas catadoras
os mendigos cantadores inocentes
calejados sobreviventes

O burburinho das cidades
me leva a encontros improváveis
com manequins levemente imersos
em lojas fechadas
com vitrine exposta e luzes acesas
e uma bela fachada

A vitrine de fora
e seus monumentos de cimento
No exalar da noite
o poste no alento transpira
perfumes de delirios de calda rastejante
E na madrugadados botecos de uma mesa só
para um instante
firme como um arco
me apoio no balcão
coço a nuca
confiro os bolsos
um masso de cigarro
amassado
solitário
um cigarro informal
olho distraído
mais um recorte urbano.

11/2007

sábado, 27 de outubro de 2007


"A TEIA; olhem através de um telescópio
para ver o que eu posso ver
perplexa pelas visões das constelações que me observam"
autora-RAW's daughter

segunda-feira, 30 de abril de 2007

Aster do grego estrela, do inglês estar.

Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.

Que idéia tenho eu das cousas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das cousas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
(...)
Fernando Pessoa

terça-feira, 17 de abril de 2007

Café com Einstein


"Deus não joga dados com o mundo; ele é sutil, mas não é maldoso"
"A humanidade se apaixona por finalidades irrisórias que tem por nome a riqueza, a glória, o luxo. Desde moço já as desprezava"
"Quanto mais aprendo, mais me dou conta da minha ignorância"
"Quando eu era jovem razoavelmente precoce, fiquei impressionado com a futilidade das esperanças e da ambição que acossam, incansavelmente, a maioria dos homens durante toda a sua vida. Além disso, muito cedo percebi a crueldade dessa busca, que naquele tempo era muito mais cuidadosamente disfarçada pela hipocrisia e por palavras brilhantes. Todos estavam condenados a participar dela pela mera existência de seus estômagos"
"Penso noventa e nove vezes e nada descubro; deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio: eis que a verdade se me revela"
"Existem duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos homens"
"O mais incompreensível do mundo é que ele seja compreensível"
O problema de morar sozinho é que sempre é a nossa vez de lavar a louça"
"A realidade é uma ilusão, embora bastante persistente"
"A paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos"
"A paz não pode ser mantida à força. Somente pode ser atingida pelo entendimento."
"O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos, como algo separado do resto do universo - numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é um tipo de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto apenas pelas pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrarmos dessa prisão, ampliando o nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá atingir completamente este objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior."
"Eu aceito o mesmo Deus que o nosso grande Spinoza chama a alma do Universo, não creio num Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais"
"Existem apenas duas maneiras de ver a vida. Uma é pensar que não existem milagres e a outra é acreditar que tudo é um milagre"
"A ciência sem a religião é paralítica e a religião sem a ciência é cega"
"Na verdade, você nunca entende uma teoria. Você simplesmente a utiliza"
"O Universo não é infinito, mas é ilimitado"

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Deus é uma viagem




Expressão facial e corporal
de São Francisco de Assis e de São Sebastião.
Olhos virados para cima, cabeça levemente arqueada para o lado
e corpo relaxado!